Geraldo Veloso (Belo Horizonte-MG, 1944-2018). Montador, produtor, diretor. Nascido em Belo Horizonte, estudou no renomado Colégio Estadual de Minas Gerais – por onde passaram os principais nomes da esquerda brasileira que viriam a atuar em diferentes frentes a partir do golpe militar de 1964 –, militando no Diretório Estudantil do colégio e na União Municipal dos Estudantes Secundaristas. Aos 17 anos associa-se ao Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), tendo sido também um dos responsáveis pela retomada das atividades da instituição no início da década de 1980, em Belo Horizonte. O cineclubismo se tornaria uma das marcas mais fortes de sua atuação no campo cinematográfico. Entre 1982 e 2018 foi diretor-executivo da Fundação Humberto Mauro, realizando cursos de cinema teóricos e profissionalizantes, além do projeto de cinema para a periferia chamado Lanterna Mágica. Com o objetivo de produzir filmes, em 1963 associa-se à Sagarana Filmes Ltda., cooperativa de produção fundada pelo crítico de cinema e membro do CEC José Haroldo Pereira para a realização do longa-metragem Namorados, projeto abortado após o golpe civil-militar. Na equipe mineira de O padre e a moça exerce a função de assistente de produção.

 

Como membro do CEMICE, faz a montagem de Milagre de Lourdes (1965) e de Interregno (1966), de Flávio Werneck. Muda-se para o Rio de Janeiro e junto a Maurício Gomes Leite, Carlos Heitor Cony e Wilson Cunha forma a Tekla Filmes, produtora responsável pelos dois filmes de Maurício, O velho e o novo (Otto Maria Carpeaux) (1966) e A vida provisória (1968). Na cidade, monta o curta-metragem Jaguar (1967), de David Neves, e na mesma função atua em diversos filmes do chamado Cinema Marginal, entre eles: Jardim de guerra (1968), Mangue bangue (1970) e Piranhas do asfalto (1970) de Neville d’Almeida; Os monstros de Babaloo (1970), de Elyseu Visconti; Matou a família e foi ao cinema (1969) e Lágrima-pantera (1972), de Júlio Bressane. Ao lado de José Sette de Barros monta o filme Sagrada família (1970), de Sylvio Lanna. Também em 1970, realiza seu primeiro longa-metragem, Perdidos e malditos, filme em que reverbera os pressupostos da estética marginal, inserindo a personagem principal quase todo o tempo dentro de um apartamento, o que faz ressaltar a perspectiva intimista comumente atribuída aos mineiros. Como diretor realiza ainda: Homo sapiens (1975), Toda a memória das Minas (1978) e O Circo das qualidades humanas (2000), em codireção com Milton Alencar, Paulo Augusto Gomes e Jorge Moreno. Crítico e articulista de cinema escreve para a edição 28 da Revista de cinema, que trouxe textos de Carlos Alberto Prates Correia e Maurício Gomes Leite (1964); jornal Tribuna da imprensa (1968), jornal O Estado de Minas (1981-83), onde escreve uma série de cinco artigos de página inteira sobre o Cinema Marginal intitulada “Por uma arqueologia do ‘outro cinema’”, fonte citada por vários títulos da historiografia nacional; jornal Correio Brasiliense (1981) e revista Luz e Ação (1981-82). Ao longo da carreira dirigiu diversas entidades de classe ou culturais, sendo sócio fundador da Associação Brasileira de Cineastas e da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas, seção Minas Gerais, (ABD-MG). Faleceu em Belo Horizonte, em 2018.

(por Daniela Siqueira)

 

Filmografia

1970 - Perdidos e malditos (35mm, 75’, p&b, som)

1975/1983 - Homo sapiens ou um bando de anjos (35mm, 70’, cor, mudo)

1978 - Toda a memória das Minas (16mm, 18’, cor, som)

2000 - O Circo das qualidades humanas, codireção de Milton Alencar, Paulo Augusto Gomes e Jorge Moreno (35mm, 82’, cor, som)