Anna Maria Maiolino (Scalea/Itália, 20 de maio de 1942). Em 1952 mudou-se com a família para Caracas, na Venezuela. Com 12 anos de idade ingressou na Escola Nacional Cristóbal Rojas no curso de Arte Pura, ministrado por Miguel Arroyo. Em 1960 mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a frequentar a Escola Nacional de Belas Artes, onde conheceu Rubens Gerchman (com quem se casou em 1963), Antonio Dias e Roberto Magalhães, jovens artistas entusiasmados com a “nova figuração”. Em 1967 integrou o movimento neoconcretista brasileiro junto com Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape entre outros, organizando a exposição Nova Objetividade Brasileira em 1967.

Entre 1968 e 1971, Anna viveu em Nova York, onde teve que se dividir entre o cuidado dos filhos, sustento da família e o desenvolvimento de seus projetos artísticos. Nesta fase, criou trabalhos em papel a partir de textos e é daí que se originam a série de telas Mapas mentais (1971-1976) e os filmes em Super-8. Segundo a artista, as palavras possibilitaram encontrar respostas para questões da vida pessoal e “constituíram uma forma de elaborar o reencontro com a ditadura militar ao regressar ao Brasil” (TATAY, 2012, p.42).

Durante o retorno ao Brasil na década de 1970, Maiolino realizou performances, livros-objetos, desenhos e experimentou diversos suportes como o super-8 – do qual produziu oito filmes: In-Out (Antropofagia) (1973-1974); Construção/jogo (1973); X (1974); Y (1974); Um dia (1976-2015); + - = - (mais menos: igual menos) (1976); Verso/inversus (1979); Ad hoc (A propósito, 1982); e +&- (1999). A artista também se aventurou no vídeo e continua experimentando novos suportes como o digital: Um tempo (uma vez) (2009/2012); 09, da série LOG (2013); e Aos quatro ventos (2001/2011). Tal trajetória audiovisual traz as marcas de sua condição de imigrante, mas no caso do super-8 ficam evidentes os entrelaçamentos entre estes curtas-metragens e seus outros trabalhos como as séries fotográficas Fotopoemação, dos anos 70, e as xilogravuras A viagem (1966) e Glu Glu Glu (1967); assim como também manifestam suas inquietações com as marcas da violência da ditadura sobre os corpos, com ênfase no feminino. A recorrência frequente do close up como elemento de linguagem que recorta um quadro, mas que dá visibilidade a um tema é uma marca de Maiolino, evidenciando como uma lupa o que os olhos muitas vezes se recusam a ver ou reconhecer.

(por Marina Costa)

 

Bibliografia

FAJARDO-HILL, Cecília; GIUNTA, Andrea. Mulheres radicais: arte latino-americana, 1965-1980. São Paulo: 2018.

HOLLANDA, Heloísa Buarque; HERKENHOFF, Paulo. Manobras radicais. São Paulo: Associação de Amigos do CCBB, 2006.

MAIOLINO, Anna Maria; LINS, Daniel; TATAY, Helena. A pele de Anna: Anna Maria Maiolino. São Paulo: Cosac & Naify, 2016.

TATAY, Helena. Anna Maria Maiolino. São Paulo: Cosac & Naify, 2012.