Sylvio Lanna (Sylvio Gomes Lanna (Ponte Nova-MG, 1944). Diretor. Nasceu na cidade mineira de Ponte Nova, cursando o ginasial em Belo Horizonte. Frequentou entre 1961 e 1963 o cineclube do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), quando se muda para o Rio de Janeiro para cursar Filosofia. No Festival JB/Mesbla de 1966 assiste ao curta-metragem Olho por olho (1966), de Andrea Tonacci, filme que lhe causa grande impacto. Decide apresentar no ano seguinte um curta-metragem no mesmo festival. O amigo Geraldo Veloso indica Tonacci para fazer fotografia e câmera de O roteiro do gravador (1967), estreia de Lanna na direção. Este filme já traria a marca experimental no som, o que se repetiria posteriormente em relação ao seu primeiro longa-metragem. Foi diretor de produção e assistente de direção de Os marginais (1968), de Carlos Alberto Prates Correia e Moisés Kendler. No mesmo ano dirigiu Superstição e futebol, sobre a superstição ligada ao futebol no Brasil, ganhando o Festival de Oberhausen do ano seguinte. Depois disso passou um ano viajando pela América Latina. Fundou junto com Tonacci a Total Filmes e a partir de um esquema de produção alternativo filmam simultaneamente, com a mesma equipe técnica e alguns atores em comum, Bang bang (1971), de Andrea Tonacci, e Sagrada família (1970), de Sylvio Lanna. O filme quebra com a unidade formal, apresentando uma banda sonora documental junto a imagens ficcionais, um recurso que contrapõe Minas Gerais e Rio de Janeiro, conservadorismo familiar e contracultura. O filme recebeu censura total e não pôde ser exibido no Festival de Brasília de 1970.

 

No mesmo ano, o jovem realizador decide pelo autoexílio. Nesse período em que percorreu países como Inglaterra, África, Holanda, França e Estados Unidos, sobrevive como cineasta ou como artesão, quando necessário. Em Londres dirige os curtas-metragens 120, Edith Road, death and life (1971) e Way out (1972). Na África, realiza no Saara Forofina, em 16mm (1973), filme do qual existem preservados 27 minutos de imagens dos 55 minutos originais. De volta ao Brasil fez a montagem do som de Um sorriso por favor: o mundo gráfico de Goeldi (1981), de José Sette de Barros. Em 1983, codirigiu, com Hilton Kaufmann e Júlio Wolgemuth, Eugênio Gudin – O homem de dois séculos. Dirigiu o média metragem Malandro, termo civilizado (1986), que trouxe no elenco Kid Morengueira, Luiz Melodia e Wilson Grey. É o autor da letra da música Malandrando, gravada por Luiz Melodia no disco Claro, lançado em 1991. Dono da marca BuchaSirius, Sylvio Lanna tornou-se produtor de bucha vegetal, fabricando produtos para limpeza corporal. Mantendo o espírito crítico que marca sua produção audiovisual, em 2001, idealizou junto ao novo empreendimento o projeto “A Bucha Vegetal Brasileira” com o objetivo de combater o uso de esponjas feitas de material sintético, e promover a conscientização sobre a importância da agricultura familiar para a economia brasileira, bem como as vantagens sustentáveis das esponjas de fibras vegetais para o meio ambiente. Engajado nessa causa ele mobilizou governos municipais como o de sua cidade natal, Ponte Nova, que por meio de Lei tornou obrigatório o uso da bucha vegetal nas repartições públicas, além de atuar junto à Câmara dos Deputados em Brasília para garantir a aprovação de Projeto de Lei que promove o plantio e o consumo de bucha vegetal no mercado nacional. Seus últimos dois filmes são os curtas-metragens ? In memoriam: O roteiro do gravador e Um cinema caligráfico, ambos de 2019. Atualmente, se dedica à concepção do projeto de cineclube e circulação de filmes Brasil telas adentro: Criando cineclubes caligráficos.

(por Daniela Siqueira)


 

Filmografia

1967 - O Roteiro do Gravador (16mm, 20') *

1970 - Sagrada Família (35mm, 91')

1973 - Forofina (16mm, 55') **

1987 - Malandro, termo civilizado ou Malandrando (35mm, 14')

2019 - ? In memoriam: O roteiro do gravador (digital, 22')

2019 - Um cinema caligráfico (digital, 22')

* filme considerado perdido

** filme do qual restam preservados apenas 27 minutos