Edgard Reys Navarro Filho (Salvador-BA, 12 de outubro de 1949). Edgard Navarro é o mais destacado cineasta baiano desde os grandes nomes que deram ampla visibilidade à produção local ao longo dos anos sessenta – Roberto Pires, Glauber Rocha e André Luiz Oliveira. Nem mesmo Sérgio Machado, de carreira mais vistosa na mídia e nas bilheterias, foi capaz de atingir o reconhecimento alcançado pelo realizador de impressionantes filmes em Super-8, a começar por Alice no país da mil novilhas (1976). Esta é uma lisérgica e magnética incursão na obra de Lewis Carrol e no dito romance rural de Chico Buarque, Fazenda modelo. De saída, a obra rende ao diretor seu primeiro prêmio, o terceiro lugar em um festival em Aracaju (SE) no ano de 1977, e a convocação da Polícia Federal para explicar-se sobre a suposta incitação ao uso de substâncias psicoativas no conteúdo da obra. Para além da cena do cogumelo, que uma espécie de duende afro-baiano (Kal Santos) oferece à garota-título, o discurso abre-se em livre raccord, guiado principalmente pela banda musical e pelos offs do próprio artista, para uma aguda rememoração autobiográfica, com imagens da figura paterna e canções populares, de Beatles a Clube da Esquina.

Beirando um estigma contumaz, a instituição familiar e o peso do patriarcado constituem um tema-motor incontornável em toda a obra do cineasta, que soma 17 títulos, sendo explorado de diferentes maneiras, inclusive, em seus três filmes de longa-metragem – Eu me lembro (2005), vencedor de sete troféus no Festival de Brasília, O homem que não dormia (2012) e Abaixo a gravidade (2017).

À dureza e rigor da criação doméstica, suavizados pelo acolhimento da mãe, Stella, falecida em 1962, quando o diretor estava prestes a completar 13 anos, Edgard Navarro logo reagiria com alguns desvios de origem psíquica, enfermidades e uma latente e confessa pulsão suicida. Até empunhar sua Super-8, adquirida durante uma viagem a Manaus, em 1976, já atuava como desenhista de edificações da Prefeitura de Salvador, desde 1970, e tivera uma desastrosa passagem como técnico de fundações da Odebrecht em 1973.

Formado em engenharia civil pela Universidade Federal da Bahia (1972), Navarro se estabelece como curta-metragista entre a segunda metade da década de setenta e meados dos anos oitenta. Foi no fôlego da ainda palpitante renascença cultural que sacodiu a capital baiana em vários segmentos das artes, a partir do período JK, que o jovem filho de um descendente de espanhóis de Mundo Novo (BA), nascido em casa, no bairro de Brotas, e cuja formação escolar, até o segundo grau, havia se dado em instituições de formação católica (Colégio Nossa Senhora das Mercês e Colégio Marista), descobre-se interessado pela MPB, o teatro e o cinema, frequentando sessões de filmes-cabeça após uma primeira cinefilia desavisada, regada a diretores como Cecil B. De Mille e musas como Suzanne Pleshette.

Alice no país das mil novilhas, além de primeiro trabalho na direção, torna-se também o filme de formação nas técnicas da montagem, que Navarro aprenderia com Robinson Roberto, parceiro de José Umberto Dias em produções de relevo do superoitismo baiano no mesmo período. Mais tarde, aperfeiçoa o conhecimento e a habilidade em uma moviola Kem de 35mm, sob a orientação de José Umberto, passando, a partir daí, a desempenhar o ofício de montador ao colaborar em diversos outros trabalhos de companheiros de geração. Até 1979, o cineasta realizaria mais três curtas em Super-8 de sua própria lavra que encaminham uma autoria vicejada em pontuação singular e extremamente pessoal no modo de construção das temáticas e na expressão do desabafo, recorrente ao humor, por vezes ao escracho, alusivo às implicações advindas da conjuntura institucional do momento. O derramar de subjetividades que, de modo geral, permeia a estampa desses filmes não impede que se articule ao discurso afiadas tentativas de interpretação do aspecto cultural, sempre em uma chave da dialética indivíduo-coletivo, cercando-se da concretude de referências extremamente locais – dado, aliás, inerente à bitola – e, a um só tempo, abertas a leituras de maior alcance.

Em O rei do cagaço e Exposed, seus curtas seguintes, nota-se, entre outros aspectos, o exímio bisturi do realizador. O O rei do cagaço, desde o título a brincar com as ideias de coragem e covardia, torna-se a sensação da Jornada de Cinema da Bahia de 1977, por onde o autor chega a circular com um pequeno espelho grudado na testa, e ganha o prêmio de melhor ficção no Festival de Recife do mesmo ano. O curta traz o ator Jorge Vital como o personagem do título a assombrar a cidade – três políticos da Arena, mesma legenda do então governador Roberto Santos, sucederam-se no cargo de prefeito naquele ano – lançando contra pessoas e monumentos públicos as próprias fezes, com imagens emblemáticas, de escatologia flagrante, mas também de muita graça, ao talvez evidenciar, na balbúrdia, desejo de redenção, forte crítica social e um possível diálogo com ícones do cinema marginal. O despejar fecal esculpe, em primeiríssimo plano, uma plástica que subverte as regras do bom-cinema e faz pensar nas ideias de um Jean Epstein.

Exposed (1978), por sua vez, parece ecoar, em sua sequência final, o início de Entr’acte (1924), o celebrado filme dadaísta de René Clair. Concebido a partir das tomadas que Navarro faz de um canhão, na Praça 13 de Maio, no Recife (PE), o curta apresenta essas imagens ante a, recorrente, voz over do diretor, que, em tom de irônica reverência, descreve as medidas e o poder de combate da máquina de guerra (mesmo elemento que, em Clair, surge ao lado das figuras de Erik Satie e Francis Picabia, a mover-se com vida própria por força da montagem quadro-a-quadro). Em Navarro, o chiste final com a boca de fogo de artilharia distende o clima da visualidade alucinatória, algo nervosa, mostrada antes do desfecho – rememoração da figura materna, falocracia grotesca, culpa e castração. Ainda, imagens de TV mostram caudilhos (Geisel, Hitler etc.), Cristo e Chaplin. Síntese, tresloucado tour de force para totalização da(s) história(s) em busca de suturas a qualquer custo, nem que seja à base do bordado de fragmentos a se ajustar como puderem na frágil coladeira do Super-8; ali acena alguma paz – senão a protocolar e bionicamente universal união-dos-povos, a do umbigo do narrador – com os fiapos de sentido arrematados aqui e acolá entre a banda sonora e a de imagens: os tiros de canhão que abrem a versão de Caetano para Coração materno, canção (Vicente Celestino) e filme (Gilda de Abreu) de sucesso, recuperam dor, carência e medo ao apontarem a metáfora do retorno ao lar.

Eis o conjunto de escombros pessoais que marca a estética de Navarro, ganhando sua mais impactante forma nesse curta, e que irá aparecer adiante, de maneira mais organizada, do ponto de vista de certa linearidade narrativa, quando o realizador passa a se dedicar ao filme de longa-metragem. Alice (fase oral), O rei (fase anal) e Exposed (fase fálica) compõem, assim, a chamada trilogia freudiana do diretor. Daria pano para manga, aos mais chegados na aproximação entre o cinema e a teoria psicanalítica, seguir com Freud e se deparar com o esquema completo dos estágios psicossexuais do indivíduo no personagem-título de Superoutro (1989), o fulgurante média-metragem que põe o cineasta no visor do cinema de invenção de uma vez por todas. Vencedor dos prêmios de melhor filme, direção e ator no Festival de Gramado, o média-metragem é protagonizado por Bertrand Duarte, que antes Navarro havia escalado para o elenco da montagem de Deus, espetáculo de formatura do cineasta na Escola de Teatro da UFBA, onde foi aluno de 1981 a 1986. Duarte despontaria, daí em diante, para elogiadas atuações no elenco de Carlos Reichenbach, Miguel Littín, Fernando Bélens e Orlando Senna, entre outros.

Alter ego do diretor, o personagem-título é caracterizado como um mendigo de nariz em pé, vigilante atento e impertinente do (mau) funcionamento da sociedade, aqui representada na urbe de uma Salvador da segunda metade dos anos oitenta, em que a repressão do sujeito (fase latente?) se dá por meio do movimentado e tenso diálogo do anti-herói em cena com as instituições – a polícia, a sexualidade standard, o manicômio, os monumentos históricos, pontos turísticos, as lojas, a cultura de massa e seus ícones, o ativismo político, a celebração cívica oficialesca, a pregação religiosa, a classe média e toda a sorte de detritos que a mesma lega para os que estão fora de seus apartamentos, carros, restaurantes e manuais de conduta.

Avançando na aposta de uma possível leitura psicanalítica, Superoutro completaria o esquema freudiano com duas cenas de masturbação (fase genital?) em que o mass-media posiciona-se como item catalisador de uma sexualidade exasperante, a vir à tona de modo exposto sobre a pele da cidade, quer seja a olhos vistos, mobilizada pela transmissão de um game show de Silvio Santos em um televisor de vitrine de loja, ou na privacidade, entre-aspas, a céu aberto ou quase, embaixo de um viaduto, improviso ao alcance dos sem-teto da vida real, ante a explicitude das imagens de uma revista pornô.

Não somente a onania, que já aparece em breve fragmento de Exposed, será retomada por Navarro em seus longas. Outros itens de relevo para o repertório temático do realizador e apresentados no média-metragem surgirão adiante com variável polimento e prospecção. A relação com a pólis, seus caminhos e obstruções para o corpo que quer sobretudo voar ou flutuar, desejo e impedimento que o discurso de Superoutro muito bem engata, terá desdobramento significativo em cada um dos três filmes de longa duração. A resistência ao gesto de Ícaro – simbólico ou literal; afinal, quem voa não quer estar onde se encontra – constante na travação geral de Guiga (Lucas Valadares) em Eu Me Lembro e na lubricidade bloqueada do Padre Lucas (Bertrand Duarte) de O homem que não dormia – que emula Artaud em A concha e o clérigo (1928), de Germaine Dulac, da vanguarda francesa primeira – parece deixar de ser uma ameaça em Abaixo a gravidade e torna-se apenas um caminho a ser percorrido, ainda que no périplo intuitivo e arriscado pelo doce protagonista Bené (Everaldo Pontes) em seu trajeto oscilante cidade grande-interior, e no pujante arremate da metáfora de Mierre (Fábio Vidal), personagem lateral e maltrapilho que labora na confecção das próprias asas até decolar. “Estamos aqui reunidos para tentar”, prédica ouvida em O rei do cagaço logo no início da cena fatal, percorre a atabalhoada vontade de potência de todos esses indivíduos, sendo que no média-metragem repete-se o ataque fecal em uma única cena-síntese: o louco quixotesco expele sua obra interior à beira-mar e com ela macula um playboy motorizado ao som de Kátia Flávia, sôfrega e nervosa canção de Fausto Fawcet.

Superoutro embute em sua trama, de superfície aparentemente simples, esses anseios e interditos dos que trilham a inconformidade como destino. No filme, um pássaro é libertado da gaiola e cumpre o seu, antecipando o sobrevoo do personagem-título na cena final, poesia pobre caligrafada no chroma-key de estúdio e no uso pirateado da trilha de John Williams para o Superman original hollywoodiano. Além da evocação à figura de Iemanjá, a tematização da cultura afro-baiana ganha a sua vez em frente a uma sala de exibição – o Cine Glauber Rocha, onde antes funcionara o Guarani, o primeiro cinema de Salvador – e demanda análise em separado por conta do modo como voltará nos longas do diretor, entre a serventia colonizada, o socorro milagreiro, eivos filosóficos e, uma vez mais, o pulsante desejo.

Para essa produção, iniciada em 1987, o diretor volta a reunir os integrantes do Grupo Lumbra, coletivo formado principalmente por Fernando Bélens, Pola Ribeiro e José Araripe Jr., além do próprio Navarro, com quem o diretor vinha atuando em outras funções desde o início da década. Na lista que a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) ranqueou, em 2019, os 100 melhores curtas nacionais de todos os tempos, que acabou enumerando alguns filmes de média-metragem, Superoutro ocupa a sétima posição. No álbum Tropicália 2 (1993), de Caetano e Gil, talvez o maior reconhecimento a ser saboreado por Edgard Navarro – o média é citado na faixa Cinema novo, de autoria da dupla, de quem o cineasta é confesso admirador. A letra inventaria o Brasil a partir de filmes significativos da cinematografia nacional. Uma banda de indie rock do Recife empresta o nome do média-metragem. Na música, no teatro (Bispo, de João Miguel, com direção de Navarro) e no amplo diálogo com uma gama de filmes que vieram antes e depois (Meteorango kid, Meio poeta, Super Nada etc.), Superoutro emerge como a sutura incontornável de uma contracultura tardia que parece não encontrar o seu lugar, mas que teima em despontar em várias frentes, e com outras articulações, nas produções a partir da década seguinte.

É nesse multifacetado e claudicante panorama da retomada que Navarro vai forjar a estética de seus longas e retomar um estilo naïf próprio, “cinemeiro” - como passou a chamar sua produção, em contraponto a um contexto geral biônico e incipiente de indústria no cinema brasileiro – e que tem deixado público e crítica atônitos, tanto faz se elogiam ou rejeitam. De Eu me lembro (20 mil espectadores) a Abaixo a gravidade, o número de espectadores reduziu e o prestígio parece ter aumentado. No terceiro, filme de balanço da maturidade, há uma novidade – a leveza toma o lugar do ranger de dentes da filmografia anterior e os demônios serão banidos com legumes orgânicos, chás naturais, ioga e uma paixão platônica. O personagem Bené enfrenta seus desvãos com resignação e a bordo de um ônibus que o leva para qualquer lugar no interior depois de uma levitação lisérgica e tinturas surreais. E a costura infalível pelo humor mordaz que atravessa boa parte de sua obra. Não se engane quem pensar o contrário. Para Navarro, a alegria é, de fato, a prova dos nove. E à prova de tudo.

Mostras, sessões especiais, homenagens e publicações marcaram os 70 anos de nascimento do diretor em 2019 em Ouro Preto (MG), São Paulo (SP), Campo Grande (MS) e Salvador, embora a Bahia, dada ao panegírico, pouco tenha se manifestado. Lin e Katazan (1986) – que tem uma versão em Super-8 de 1979 – e Porta de Fogo (1983) são curtas, premiados em Brasília, que ampliam o universo de Navarro e mereceriam um olhar mais detido: o primeiro contrapondo subjetividade iogue e construção civil; o segundo, recobrando a guerrilha na figura do Capitão Carlos Lamarca (1937-1971). Do mesmo, sua breve e potente incursão na não-ficção – Na Bahia ninguém fica em pé (1980), codireção com José Araripe Jr. e Pola Ribeiro, e Talento demais (1995), ambos sobre o cinema baiano – permanece a aguardar revisão à altura.

Objeto recorrente de cineastas (Geraldo Sarno, André Luiz Oliveira, Lírio Ferreira, Marcondes Dourado, Gabriela Barreto, Paulo Fernandes) e acadêmicos (novamente Paulo Fernandes, Maiara Bonfim, Guiomar Ramos, Ismail Xavier, Rubens Machado, Maria do Socorro Carvalho, Marise Berta), o diretor consente, em 2019, a Rosana Almeida a elaboração de sua biografia em livro e começa a trabalhar no projeto ao lado da escritora. Na mesma época, Navarro anuncia ter desistido de produzir sob o modelo das leis de incentivo atuais, que se encontra sob retaliação do governo de direita que chegou ao poder em 2018.

(Marcos Pierry)


 

Filmografia

Como diretor:

1976 - Alice no país das mil novilhas (Super-8, cor, 20’)

1977 - O rei do cagaço (Super-8, cor, 7'30")

1977 - Looping (inacabado)

1978 - Exposed (Super-8, cor, 10')

1979 - Lin e Katazan (Super-8, cor, 6'30")

1980 - Na Bahia ninguém fica em pé, codireção de José Araripe Jr. e Pola Ribeiro (Super-8, cor, 20’)

1980 - Gran Circo da Pindura

1981 - Pirandello, O teatro no teatro

1983-1985 - Porta de Fogo (16mm, cor, 22’)

1986 - Lin e Katazan (35mm)

1987-1989 - Superoutro (35mm, cor, 45’)

1992 - Bahia (documentário institucional)

1992 - A Voz do Brasil (videoclipe para com a canção de Cida Lobo)

1994-1995 - Talento Demais

1999 - O papel das flores

2005 - Eu me lembro (35mm, cor, 95’)

2012 - O Homem que não dormia (35mm, cor, 98’)

2017 - Abaixo a gravidade (digital, 110’)
 

Como montador:

1976 - Alice no país das mil novilhas (Super-8, cor, 20’)

1977 - O rei do cagaço (Super-8, cor, 7'30")

1978 - Exposed (Super-8, cor, 10')

1978 - Atual Idade da Terra, direção Virgílio de Carvalho Neto e Marcos Sergipe

1979 - Lin e Katazan (Super-8, cor, 6'30")

1980 - Habemus Papa, direção Pola Ribeiro)

1986 - Lin e Katazan (35mm, cor)

1985-1987 - A Lenda do Pai Inácio, direção Pola Ribeiro

1990 - Anil, direção Fernando Bélens

1993 - Héteros – A Comédia, direção Fernando Bélens

1997 - Bahia em Tempo de Cinema (documentário institucional)

Como parte do elenco:

1976 - Alice no país das mil novilhas (Super-8, cor, 20’)

1977 - O rei do cagaço (Super-8, cor, 7'30")

1978 - Exposed (Super-8, cor, 10')

1980 - Ame-o ou Deixe-o, direção Jorge Felippi

1980 - Eletros – O Monumento, direção José Araripe Jr.

1980 - Pixado, direção Pola Ribeiro

1981 - Paliduo, direção Henrique Andrade

1985 - Um Filme 100% Brasileiro, direção José Sette

1998 - G – Constelação da Boca do Inferno, direção Pola Ribeiro

2000 - Pênalti, direção Adler Kibe Paz

2000 - Navarro, direção Marcondes Dourado

2003 - Acorde, direção Adriana Oliveira

2008 - O Teatro em Si, direção André Luiz Oliveira

2010 - Pares, direção Matheus Vianna

2010 - Genial!!, episódio 03, direção Cris Azzi e Gilberto Scarpa

2012 - O Homem que não dormia (35mm, cor, 98’)

2014 - Angelus Novus, direção Rafael Schlichting

2015 - Tropykaos, direção Daniel Lisboa

2015 - Cinema verité

2017 - O Canto do Sabiá, episódio da segunda temporada da série A Linguagem do Cinema, direção Geraldo Sarno

2017 - O Senhor das Jornadas, direção Jorge Alfredo

2019 - Acqua Movie, direção Lírio Ferreira

2019 - Salvador, episódio da série O Cinema das Cidades, direção Fabiano Maciel

2020 - Sertânia, direção Geraldo Sarno