Regina Vater (Rio de Janeiro-RJ, 11 de maio de 1943). Estudou arquitetura na UFRJ nos anos 60 ao mesmo tempo em que se dedicava às artes. Fez cursos com Iberê Camargo entre 1962 e 1965, tendo este contato marcado sua primeira fase artística pela influência da vertente figurativa em voga no Rio de Janeiro naquela época.

Com o passar dos anos, se aproximou das práticas conceituais da arte, primeiro com o grupo Nova Figuração, composto por Antonio Dias, Rubens Gerchman, Carlos Vergara, entre outros, e que apresentava uma linguagem pautada por elementos da cultura de massa, da televisão e dos símbolos pop. O grupo se transformou, em 1968, no movimento Nova Objetividade Brasileira, junto com Hélio Oiticica e Lygia Clark. De acordo com Talita Trizoli (2011), inicia-se aqui a fase “Tropicalista” de Vater, na qual a artista mergulhou no caráter popular da figura feminina e na construção de sua imagem pelos meios de comunicação.

O endurecimento do regime militar a partir de 1968 não impediu com que Regina avançasse na experimentação em diversos suportes como a fotografia, livros de artista, arte postal, vídeos e filmes em Super-8. Neste momento, ela realizou diversos trabalhos que se transformaram em um “canal de reflexão sobre a qualidade e a degradação das relações humanas e dos ambientes sociais” (ALZUGARAY, 2013, p.10). É deste período que surgem obras marcantes como a instalação performática Magi(o)cean (1970) e a série Nós (1973). No campo audiovisual, produziu uma extensa trajetória de registros em vídeos e super-8 que trouxeram propostas instigantes, traduzindo as preocupações da artista com o tempo, a expressão da subjetividade feminina e a política. Na bitola Super-8 realizou os seguintes trabalhos: Conselhos de uma lagarta (Advice from a caterpillar, 1976), PlayFEUllagen (1974), As times goes by (1978/1979), ComPANheiro Cage (1979); Watching time (1979); Saudades do Brasil (1981); Salva dor (1983); Virando a tristeza pelo avesso (1985); The End (1983); e Love Spaces (1985). Parte desses curtas entre outros registros em Super-8 foram transferidos para vídeos, como é o caso de Oxum 1984-2007. Tais trabalhos associados às suas produções artísticas em outros suportes reúnem a profundidade sensível da artista em torno de temas que envolvem a sociedade, o meio ambiente e a psicologia materializados em “um impulso transmidiático” da criatividade de Vater, nas palavras de Augusto de Campos (apud ALZUGARAY, 2013, p.21).

 

(por Marina Costa)

 

Bibliografia

ALZUGARAY, Paula. Regina Vater: quatro ecologias. Rio de Janeiro: F10 Editora: Oi Futuro, 2013.

FAJARDO-HILL, Cecília; GIUNTA, Andrea. Mulheres radicais: arte latino-americana, 1965-1980. São Paulo: 2018.

HOLLANDA, Heloísa Buarque; HERKENHOFF, Paulo. Manobras radicais. São Paulo: Associação de Amigos do CCBB, 2006.

TRIZOLI, Talita. Trajetórias de Regina Vater: por uma crítica feminista da arte brasileira. 2011. 288f. Dissertação (Mestrado em Estética e História da Arte) – Interunidades em Estética e História da Arte, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.