Pola Ribeiro (Paulo Roberto Vieira Ribeiro, Salvador-BA, 30 de agosto de 1955). Enquanto aluno da Escola de Aplicação da UFBA, em 1974, participa do Curso Livre, do Grupo Experimental de Cinema. Neste mesmo ano, começa a frequentar a Jornada de Cinema da Bahia, onde primeiro tem contato e se interessa por filmes em Super-8. Graças ao evento, descobre na bitola a possibilidade de um cinema possível, o que justamente chama sua atenção. Em 1975, realiza A conversa, seu primeiro filme, em parceria com Francisco Boaventura Maia Neto, José Alberto Souto Maior e Pedro Braga Néri. É nesse momento que tem também seu primeiro contato com a Censura, que retém seu filme, selecionado para a Jornada daquele ano.

Faz parte do chamado “boom superoitista”, ou “geração super-8”, dos anos 1970, que se espraiou para os princípios dos anos 1980. No caso da Bahia, estes realizadores tanto são frutos da formação do campo cinematográfico proporcionado pela atuação conjunta do Clube de Cinema, do Grupo Experimental e também da Jornada de Cinema da Bahia, quanto, no caso da vertente experimental, do interesse em relação às temáticas contraculturais. É também desta confluência que, nos fins da década de 1970, surge a Lumbra, coletivo formado por Fernando Belens, Edgard Navarro, José Araripe Jr, Pola Ribeiro, como núcleo principal, além das participações episódicas de Jorge Felippi, Ana Nossa e Dinorah do Vale. Durante os anos 1980, a Lumbra abriga grande parte da produção de todos eles, que naquele momento estavam em vias de migrar do curta-metragem em suporte Super-8 para o mesmo formato em 35 mm.

Durante os anos 1990 e 2000, Pola tem uma produção constante no cinema, mas também no vídeo e televisão. É deste período o seu primeiro longa-metragem O jardim das folhas sagradas (2007). Foi também professor das disciplinas de Educação Artística na rede básica e de Linguagem Cinematográfica e Oficina de Direção nos cursos de graduação da UCSAL (Universidade Católica do Salvador) e FTC (Faculdade de Tecnologia e Ciências). Além disso, foi diretor geral do IRDEB (Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia) e secretário do Audiovisual, do extinto Ministério da Cultura.

 

(por Izabel de Fátima Cruz Melo)

Filmografia

(restrita à produção cinematográfica, não leva em conta produção em vídeo e para TV)

1975 - A conversa, codireção Francisco Boaventura Maia Neto, José Alberto Souto Maior e Pedro Braga Néri (Super-8, 15', cor, som, ficção)

1976 - Por exemplo, Caxundé (1976), realizado pela Equipe do Curso Intensivo de Cinema (Fernando Belens, Pola Ribeiro, Maria Edna Oliveira, Antonio Cury, Eduardo Cabrera, Homero Teixeira, Romero Azevêdo) (16mm, 20', som, , não-ficção)

1977 - Abílio matou Pascoal (Super-8, 14', som, ficção)

1978 - Cinema sem nome, codireção Edgard Navarro, José Araripe Jr., Fernando Belens (Super-8, curta-metragem, som)

1980 - Na Bahia ninguém fica em pé, codireção Edgard Navarro, José Araripe Jr. (Super-8, 22', cor, som, não-ficção)

1980 - Pixando, codireção Ana Nossa (Super-8, 30', cor, experimental)

1981 - Pixado, codireção Fernando Belens (Super-8, 8', som, não-ficção)

1981 - Filmemus Papa, codireção Edgard Navarro (Super-8, 25', som, não-ficção)

1981 - Me diz que sou seu tipo, codireção Edgard Navarro, José Araripe Jr., Fernando Belens, Dudú Martinez (Super-8, 8', som, não-ficção)

? - Reggae por voz, codireção Ana Nossa, Jorge Fellipi (Super-8, 5', som, experimental)

1987 - A lenda do Pai Inácio (35mm, 38', cor, som, ficção)

2011 - Jardim das folhas sagradas (35mm, 90', cor, som, ficção)


 

Fontes de pesquisa

FILMOGRAFIA BAIANA. Disponível em http://www.filmografiabaiana.com.br. Acesso em 30 set 2019.

 

CRUZ, Marcos Pierry Pereira da. O Super-8 na Bahia: história e análise. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós Graduação em Ciências da Comunicação. Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

 

MELO, Izabel de Fátima Cruz Melo. Cinema, circuitos culturais e espaços formativos: novas sociabilidades e ambiência na Bahia. Tese de Doutorado. Programa de Pós Graduação em Meios e Processos Audiovisuais. Escola de Comunicação e Artes. Universidade de São Paulo: São Paulo, 2018.

 

RIBEIRO, Pola. Entrevista concedida a Izabel de Fátima Cruz Melo. Salvador. 19 de abril de 2008.

 

VIEIRA, Paulo Sá. O cinema super-8 na Bahia. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1984.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

29. Pola Ribeiro

Pola Ribeiro nasceu em 30 de agosto de 1955, em Salvador, Bahia. É jornalista pela Faculdade de Comunicação/UFBA, produtor e diretor de Cinema.

Realizou os seguintes trabalhos em Cinema: "A Conversa" (prod./dir.), 1975 (Melhor Qualidade Técnico-Artística e Melhor Trilha Sonora III, no Festival de Cinema do Recife); "Ensaio Geral" (ass.dir./prod.exec.), 1975; "Solar do Unhão" (dir.coletiva), 1976; "Por Exemplo Caxundé" (dir.coletiva), 1977 (Melhor Filme, no V Festival Brasileiro de Curta-metragem); "Abílio Matou Pascoal" (prod./dir.), 1978 (Melhor Filme, na VI Jornada Brasileira de Curta-metragem/BA e no V Festival Nacional de Cinema/SE); "O Último Herói" (ass.dir.), 1978; "Hey Shazan" (prod./dir.), 1978; "Cinema Sem Nome" (co-dir.), 1977/1978; "Cinema Com Nome" (co-dir.), 1978; "Em Se Plantando Tudo UNE" (co-dir.), 1979; "Pixado Pixando" (co-dir.), 1979; "Na Bahia Ninguém Fica em Pé" (co-dir.), 1980; "Filmemus Papa" (co-dir.), 1981; "Porta de Fogo" (ass.prod./ator), 1982; "Oropa/Luanda/Bahia" (ass.dir.), 1983; "Fibra" (ass.dir.), 1985; "Lin e Katazan" (ass.montagem), 1985 (Melhor Filme e Melhor Montagem, no Festival de Cinema Brasileiro); "A Lenda do Pai Inácio" (rot./dir./prod.), 1987 (Melhor Fotografia e Melhor Ficção, na Jornada Latino-Americana/BA; Troféu Macunaíma / Melhor Média-metragem, no Rio Cine Festival RJ; Troféu Macunaíma / Melhor Filme do Ano, no Conselho Nacional de Cine Clubes; Melhor Ator / Melhor Trilha Sonora / Melhor Fotografia / Melhor Filme, no Júri Popular Jornada de Cinema e Vídeo do Maranhão); "Superoutro" (coord.prod.), 1989; "Anil" (coord.prod.), 1990 (Prêmio Cultura e Revolução, no Festival de Havana/Cuba, 1989); "Mr. Abrakadabra" (prod.exec.), 1996 (13 prêmios nos principais festivais brasileiros); "Canudos Não Morreu" (dir.), 1997; 3 Histórias da Bahia (coord.prod.), 1999; "Eu Me Lembro" (prod.) 2005.

Em Vídeo e TV, realizou os seguintes trabalhos: "De Água de Meninos a São Joaquim" (dir.coletiva), 1978; "Biblioteca do ICBA" (dir. coletiva), 1978; "UNEB - Universidade do Sertão" (dir.), 1983; "Balanço de Pagamento" (co-dir.), 1988; "Caverna" (dir.), 1988; "República de Canudos" (co-dir.), 1989 (Tatu de Ouro / Melhor Enfoque Latino-Americano, na Jornada de Cinema da Bahia, 1991; Melhor Documentário, no Festival Latino-Americano de Canela, 1990; Melhor Roteiro / Melhor Fotografia / Melhor Direção, no Festival de Florianópolis, 1990); "Divino Pirenópolis" (co-dir.), 1990; "Carnaval In Bahia" (dir.geral), 1991; "Caderneta de Campo" (rot./dir.), 1995; "Utopia" (rot./dir.), 1996; "Poesys" (dir.), 1997; "Orquestra" (dir.), 1997 (2º Lugar no Festival Awóran, 1996/BA); "Mera Abulia ou Vontade em Excesso" (rot./dir./prod.), 1997 (3º Lugar no Festival Nacional de Vídeo A Imagem em 5 Minutos, 1997/BA); "G. Constelação da Boca do Inferno" (rot./dir.), 1998 (Melhor Vídeo / Melhor Direção / Melhor Roteiro, no Festival Cine Ceará, 1999; Melhor Vídeo / Troféu Samburá / Prêmio da Crítica Cine Ceará - Melhor Vídeo Festival dos Festivais - Curitiba/PR); "Celebração da Herança Africana" (rot./dir.), 1998; "Voyages" (rot./dir.), 1999; "Memoh" (rot./dir.), 2003; "Bêbado em Cama Alheia" (dir.), 2004; e "Axé do Acarajé" (coord./dir.geral), 2006. Atualmente, está em fase de finalização do longa "Jardim das Folhas Sagradas", rodado em 2006 e com lançamento previsto para 2008.

Pola Ribeiro foi editor da Revista Montagem, em 1978. Foi professor de Cinema e Educação Artística do Colégio Estadual Severino Vieira, de 1978 a 1982, e do Colégio Municipal de Lençóis, de 1983 a 1985. Foi correspondente do Jornal Cine Olho, de 1979 a 1980; editor do Jornal Cinema Livre, em 1986; colaborador do Jornal Roteiro de Cinema, em 1992; responsável pelo Gazeta da Praia, de 1991 a 1992; professor de Linguagem Cinematográfica da UCSAL (Universidade Católica do Salvador), de 1994 a 1995; professor do curso Potenciais da Imagem, no Mestrado de História da UFBA. Realizou campanhas políticas de 1988 a 2004.

Professor da disciplina Oficina de Direção, no curso de Cinema da FTC (Faculdade de Tecnologia e Ciências/Salvador) e Diretor Geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia - IRDEB.