2ª Mostra Cine Brasil Experimental

A 2ª Mostra Cine Brasil Experimental esteve em cartaz de 7 a 13 de dezembro de 2020, na plataforma da Spcine play (http://www.spcineplay.com.br). Nesta sua segunda edição, o evento traz duas seções: Retrospectiva Histórica e Foco Contemporâneo. Na Retrospectiva Histórica, são exibidos filmes de Edgard Navarro, Jorge O Mourão, Sérgio Péo e Sylvio Lanna. No Foco Contemporâneo, há os trabalhos das brasileiras Aline Motta e Lia Letícia e do argentino Ernesto Baca. A mostra é uma produção da Vai e Vem e da Cinediário, em parceria com o Centro Cultural São Paulo.

>> Foco Contemporâneo

Este ano, a Mostra Cine Brasil Experimental traz o trabalho de duas jovens cineastas mulheres brasileiras, Aline Motta e Lia Letícia. A obra de ambas dialoga, no sentido em que abordam questões como colonialismo, ancestralidade e memória. Já Ernesto Baca tem um trabalho mais voltado para a materialidade do filme, valendo-se de diferentes técnicas de intervenção na película e, por vezes, também trabalhando com material de arquivo.
Haverá um bate-papo online com Aline Motta, na terça, 8/12, às 19h. O bate-papo com Lia Letícia será no dia 9/12, quarta, às 19h. Ambos serão transmitidos pelo canal do Centro Cultural São Paulo, no YouTube.

>> Retrospectiva Histórica

Na Retrospectiva Histórica estão filmes em Super-8 realizados por três expoentes do superoitismo brasileiro dos anos 1970. Todos os filmes de Navarro, Mourão e Péo que serão mostrados foram recentemente digitalizados em alta definição dentro do projeto Cine Brasil Experimental. Particularmente, a última digitalização em HD realizada de "Rocinha Brasil 77" (1977), único filme desse grupo de cineastas que não foi realizado em Super-8, mas em 16mm, será apresentada pela primeira vez. A digitalização foi realizada em 2020, a partir da melhor cópia em 16mm do filme encontrada pela equipe do Projeto Cine Brasil Experimental e que encontra-se depositada no CTAv.
Outra particularidade da Retrospectiva Histórica é apresentar pela primeira vez o mais novo filme de Sylvio Lanna, "Nova Pasta, Antigo Baú" (2020, 18'). O filme foi realizado a partir de imagens que o diretor filmou nos anos 1970 em Super-8 e cujos rolinhos manteve, durante décadas, guardados. Além de "Nova Pasta, Antigo Baú", serão mostrados "Forofina, Um Filme a Ser Feito" (2020, 16') e o clássico absoluto do chamado Cinema Marginal Brasileiro, Sagrada Família (1970, 80'). No dia 12/12, sábado, haverá um bate-papo online com Lanna e com o professor da UNICAMP Fernão Ramos, autor do principal livro sobre esse conjunto de filmes: "Cinema Marginal, a Representação em seu Limite".

>> Acompanhe nossos bate-papos online!

- Aline Motta, na terça, 8/12, às 19h;
- Lia Letícia, na quarta, 9/12, às 19h.
- Sylvio Lanna e Fernão Ramos, no sábado, 12/12, às 14h.
Eles serão transmitidos pelo canal do Centro Cultural São Paulo, no YouTube!

 

>> Curso em dois encontros com o prof. Rubens Machado Jr.

- "Momentos obscuros, desafio crítico - Para uma história da experimentação no cinema brasileiro: Vanguarda, Invenção, Experimental", terça e quarta, 8 e 9/12, das 17h às 18h30.
O curso pretende proporcionar uma introdução ao conceito de cinema experimental no Brasil abordando seu sentido histórico em face de uma miríade de distintas denominações de diferente repercussão e longevidade ao longo de um século, reivindicando seu necessário desafio dialogante com a história do público e da crítica.
Transmitido pelo canal do Centro Cultural São Paulo, no YouTube!

>> Sinopses dos filmes

** Foco Contemporâneo: Aline Motta

Filha Natural (2018/2019, 16')
Dir.: Aline Motta
A partir de uma análise inédita de iconografia histórica e relatos orais de sua própria família, a artista visual Aline Motta traz à tona hipóteses possíveis sobre as origens de sua tataravó. Há indícios que ela tenha nascido por volta de 1855 em uma fazenda de café em Vassouras, zona rural do Rio de Janeiro, considerado o epicentro do escravismo brasileiro no século XIX.

 

(Outros) Fundamentos (2017/2019, 16')
Dir.: Aline Motta
Última parte da trilogia que começou com “Pontes sobre Abismos”, depois com “Se o mar tivesse varandas” e terminou com “(Outros) Fundamentos”. Com imagens captadas em Lagos/Nigéria, Cachoeira/BA e Rio de Janeiro/RJ, este projeto pretende dar conta das conseqüências da jornada que a artista empreendeu em busca de suas raízes. Com isso, procura re-estabelecer laços com seus ancestrais comuns, através das águas e pontes que conectam as três cidades, e imaginando uma possível comunicação por espelhos, que refletiriam a mesma luz dos dois lados do Atlântico.

 

Pontes Sobre Abismos (2017, 8'30")
Dir.: Aline Motta
Instigada pela revelação de um segredo de família, Aline partiu em uma jornada à procura de vestígios de seus antepassados. Ela viajou para áreas rurais no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, Portugal e Serra Leoa, pesquisando em arquivos públicos e privados e, ao mesmo tempo, criando uma contra-narrativa do que geralmente se conta sobre a forma como as famílias brasileiras foram formadas. Com base em suas experiências pessoais, o trabalho pretende discutir questões como o racismo, as formas usuais de representação, a noção de pertencimento e identidade em uma sociedade que ainda tenta um ajuste de contas com sua história violenta e as noções românticas de sua louvada miscigenação.

 

** Foco Contemporâneo: Lia Letícia

Orwo Foma (2012, 3'30")
Dir.: Lia Letícia e Karen Black
Tudo é lindo numa mulher.

De todos os lugares, o mundo (2020, 5')
Dir.: Lia Letícia
Uma obra de casa entre mãe e filha. Um filme para se ver quando a barra estiver insuportável de aguentar.

Encantada (2014, 11')
Dir.: Lia Letícia
A Rainha Encantada vai retomar sua Ilha.

Terra Não Dita, Mar Não Visto (2017, 9')
Dir.: Lia Letícia
Um encontro entre seres intangíveis, por vezes visíveis. No encontro entre terra e mar.

 

Thinya (2019, 16')
Dir.: Lia Letícia
Minha primeira viagem ao Velho Mundo. Minha fantasia aventureira pós colonial. [Um discurso muda uma imagem?]

** Foco Contemporâneo: Ernesto Baca

Aborigen (2020, 5')
Dir.: Ernesto Baca
Realizado a partir de found footage comprado em uma feira de domingo e de filmagens de Baca. Padrões que tentam traçar uma relação entre o mundo do entretenimento e a realidade.

Atrapado em el sueño de otro (2020, 3')
Dir.: Ernesto Baca
Um espaço de conjunção de imagens mentais, aparentemente, livres e em busca de significantes. Um fantasma observa, percebemos que há algo induzindo a uma ordem.

 

Destellos (2016, 3')
Dir.: Ernesto Baca
Flashes de luz irrompem entre as sombras de uma película de filme.

 

Electrolisis (2018, 3')
Dir.: Ernesto Baca
Usando eletricidade, os elementos de um composto podem ser separados. Este filme evidencia esse processo em microescala, por meio da tiragem do filme em suporte Super-8. Assim, os elétrons se movimentam, liberando energia.

 

Gauchito Junco (2014, 3')
Dir.: Ernesto Baca
Retrato de Raul Junco, Chaco, Argentina.

 

Insomnia (2015, 6')
Dir.: Ernesto Baca
No meio da noite, uma mulher luta contra pensamentos fugidios. Ela sonha, mas com os olhos abertos.

 

Las Sonámbulas (2007, 9')
Dir.: Ernesto Baca
Algumas amigas ainda não acordaram. Filmado em preto e branco, virado, riscado, pintado.

 

Luna (2017, 9')
Dir.: Ernesto Baca
Os ciclos da Lua representados nos movimentos e ciclos do feminino.

 

Mamani (2005, 3')
Dir.: Ernesto Baca
Retrato do amigo Marcelo Mamani.

 

Mandalas (2010, 4')
Dir.: Ernesto Baca
Película 35mm pintada, selada, perfurada e desenhada.

 

Nacimiento de la Música (2020, 3')
Dir.: Ernesto Baca
Sequências, estruturas condensadas no espaço e no tempo. A pulsação da vida renasce a cada momento, em cada átomo do universo.

 

Neptuno (2019, 3')
Dir.: Ernesto Baca
Território desconhecido. Superfície de filme impregnado de pigmento, pintada com pincel e aquarela e corroídas pela água da chuva. Gravura realizada pelo método água-forte. Cópia de contato com matrizes.

 

Rama (2016, 5')
Dir.: Ernesto Baca
Mil formas se expressam através de uma linha orgânica, na velocidade do mundo vegetal. Pintado e riscado sobre suporte película 16mm.

 

Ratna Mala (Collar de Flores) (1999, 4')
Dir.: Ernesto Baca
Num descampado, uma sucessão infinita de flores brota do solo. Único Kodachrome do artista.

 

 

** Retrospectiva Histórica: Edgard Navarro

Alice no País das Mil Novilhas (1976, 19')
Dir.: Edgard Navarro
Em leitura divertida e psicodélica do clássico de Lewis Carrol, Alice aqui entra no país das maravilhas ao ingerir o cogumelo que floresce no estrume do gado.

 

Exposed (1978, 6'30")
Dir.: Edgard Navarro
Fogo, retratos velhos e queimados da vida familiar, cães copulando, figuras da era política da ditadura militar. O poder armado, viril, fálico.

 

Lin e Katazan (1979, 5'30")
Dir.: Edgard Navarro
Baseado em texto extraído do livro Fazenda Modelo, de Chico Buarque de Holanda, o filme é uma parábola sobre um empregado da construção civil e o capataz de uma obra.

 

O Rei do Cagaço (1977, 8'30")
Dir.: Edgard Navarro
O ato de defecar, filmado de forma explícita e impactante, introduz a história paródica de um manifestante que evacua em várias instituições baianas.

 

 

** Retrospectiva Histórica: Jorge O Mourão

A Pátria (1977, 3'30")
Dir.: Jorge O Mourão
Tensões entre espaços internos e externos, o medo e a paranóia em tempos de repressão.

 

Brasil 1872000 Minutos Noves Fora? (1977, 21')
Dir.: Jorge O Mourão
Manifestações 'corpo presente': filmes com edição na câmera e finalização momentânea.

A verdade em a qualidade do instante.

 

Costumes da Casa (1977, 8'30")
Dir.: Jorge O Mourão
Um fio de emoção em contraluz. Gozo apesar da tortura. Contraste entre a resistência à repressão e a censura e, não obstante, o tesão solto, falante.

 

Shave & Send (1977, 15'30")
Dir.: Jorge O Mourão
Um 'índio' branco entra em Nova York pela barriga do Empire State, raspa todos os pêlos e, nu, renasce.

 

Washington Sq. Sunday (1978, 6')
Dir.: Jorge O Mourão
Um dia de domingo ensolarado, no Washington Square Park, em Nova York.

 

 

** Retrospectiva Histórica: Sérgio Péo

Explendor do Martírio (1974, 9'30")
Dir.: Sérgio Péo
Ensaio experimental de intervenção urbana no Rio de Janeiro, utilizando momentos em que o País se transportava, via satélite, para a Copa do Mundo, na Alemanha.

 

Pira 72 (1972, 14'30")
Dir.: Sérgio Péo
Cenas documentais do cotidiano e gestos performáticos se misturam nesta montagem veloz de imagens produzidas nas ruas do Rio. Frases escritas no asfalto (ou extraídas de placas de jornais) pontuam todo o filme.

 

Rocinha Brasil 1977 (1977, 17')
Dir.: Sérgio Péo
Documentário sobre a favela da Rocinha, a maior do Rio de Janeiro. Um passeio de câmera revela seus caminhos e intimidades, enquanto o discurso de seus moradores aponta a solução da urbanização das favelas, em contrapartida à proposta de remoção, ameaça que paira sobre todos.

 

 

** Retrospectiva Histórica: Sylvio Lanna

Forofina, Um Filme a Ser Feito (2020, 13')
Dir.: Sylvio Lanna
Curta que recupera imagens captadas por Sylvio Lanna na África, em uma travessia, nos anos 70.

 

Nova Pasta, Antigo Baú (2020, 18')
Dir.: Sylvio Lanna
Pequeno ensaio sobre a vida e o nascimento do amor.

 

Sagrada Família (1970, 80')
Dir.: Sylvio Lanna
Uma família burguesa composta de quatro integrantes. Ao longo da viagem, vão se desfazendo de seus bens materiais e de sua história. Conduzidos pela mão de um guia, levam uma arma e uma caixa de balas de festim. O guia as troca por balas verdadeiras, fazendo com que os integrantes da família sejam eliminados um a um, sempre sob sua ação malévola.