1ª Mostra Cine Brasil Experimental

A 1ª Mostra Cine Brasil Experimental ocorreu de 24 a 29 de setembro de 2019, no Centro Cultural São Paulo - CCSP, e trouxe ao público paulistano uma seleção de filmes experimentais realizados por cineastas e artistas brasileiros e latino-americanos. A programação do evento é composta tanto por produções contemporâneas, quanto por jóias da filmografia experimental redescobertas pela equipe de curadoria da mostra.

A 1ª Mostra Cine Brasil Experimental está dividida em 3 eixos: panorama histórico, foco contemporâneo e homenagens. O panorama histórico é composto por algumas obras significativas da filmografia experimental brasileira e latino-americana. Algumas delas receberam novas digitalizações para serem exibidas no evento, é o caso dos filmes de Edgard Navarro, Jorge O Mourão, de Um Filme Como Outros (1978), de Luiz Renato Martins - que até hoje permanecia raro por nunca ter sido telecinado -, Era Uma Vez... (1979), de Jorge Abranches, Lygytymah Depheza (1981), de Lúcio Águiar, Pira (1972) e Explendor do Martírio (1974), de Sérgio Péo.

Ainda no panorama histórico, será apresentada uma sessão dedicada à Corcina - Cooperativa dos realizadores cinematográficos, que existiu de 1978 a 1983. Alavancada pela Lei do Curta, ela chegou a produzir cerca de 50 filmes e distribuiu 70. A curadoria deste eixo é de Lucas Parente.

O foco contemporâneo joga luz sobre o trabalho de três realizadoras brasileiras que representam novo fôlego para o cinema experimental brasileiro: Ana Vaz, Letícia Ramos e Louise Botkay. Esta última estará presente para um bate-papo com o público logo após a exibição de seus filmes. A curadoria deste eixo é de Patrícia Mourão.

Este ano, a mostra irá homenagear a cineasta, artista e curadora franco-americana Vivian Ostrovsky, cuja obra tem uma conexão afetiva muito importante com o Brasil e o cineasta brasileiro recém falecido Luiz Rosemberg Filho. No dia 28/09, às 20h45, Ostrovsky estará presente para uma conversa com o público.

A 1ª Mostra Cine Brasil Experimental é patrocinada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa por meio do PROAC. Ela é uma produção da Cinediário e tem apoio do Centro Cultural São Paulo - CCSP, do Instituto Goethe, da Cinemateca do MAM-RJ, do Curta 8 e do Apfel.

Homenagens

Dentre os destaques do evento está a homenagem à cineasta e artista franco-americana Vivian Ostrovsky. Ela passou parte importante de sua juventude no Brasil e até hoje tem uma relação muito especial com o país, o que que está muito presente em sua obra. A Mostra exibe 13 filmes em curta-metragem realizados por Ostrovsky entre 1983 e 2018, entre eles Copacabana Beach (1983, 10', cor), talvez seu filme mais conhecido, que ela realizou em super-8 na famosa praia carioca; e Nikita Kino (2002, 40', cor e pb), filme documentário experimental realizado com belíssimas imagens de arquivo sobre suas lembranças da antiga URSS, país de origem de seu pai. Vivian Ostrovsky estará presente no evento e participará de um bate-papo com o público no dia 28 de setembro, às 20h45, no Centro Cultural São Paulo. Na ocasião, estará presente também o professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, Rubens Machado, que falará um pouco sobre a obra da artista. O debate terá entrada gratuita.

A mostra também homenageia o cineasta brasileiro recém-falecido Luiz Rosemberg Filho, exibindo o contundente longa-metragem Imagens, realizado em 1972, no auge da Ditadura Militar brasileira, e os curtas Landscape, de 2017 e O Cinema Segundo Luiz Rô, de Renato Coelho, uma homenagem ao cineasta.

Atividades paralelas

Juntamente com as sessões de cinema e debate, a 1ª Mostra Cine Brasil Experimental também promoverá duas atividades paralelas: o 1º Seminário de Cinema Experimental Brasileiro e um um curso sobre a história do cinema experimental brasileiro, a ser ministrado por Renato Coelho e Priscyla Bettim.

O 1º Seminário de Cinema Experimental Brasileiro acontece no dia 24 de setembro, das 11h às 19h, no Centro Cultural São Paulo e será composto por duas mesas redondas com pesquisadores e teóricos especialistas na história e na filmografia do cinema experimental brasileiro e uma palestra ministrada pelo cineasta experimental e pesquisador Carlos Adriano, que acontecerá, dentro do contexto do seminário, às 17h30.

O acesso a ambas as atividades é gratuito e aberto a todos. Não é necessário se inscrever. Os ouvintes tanto do curso quanto do seminário receberão certificado.

Destaques latino-americanos

Uma das preciosidades exibidas na mostra é a monumental obra de Fernando Birri (1925-2017), ORG (1967-1978), raramente exibido desde sua estreia no festival de Veneza em 1979 até sua recente restauração em 2012, na Alemanha.

O argentino Birri foi figura chave do novo cinema latino-americano tanto como realizador de obras fundamentais como Tire Dié (1960) e Los Inundados (1961), como teórico e como co-fundador das escolas de Cinema em Santa Fé, Argentina e San Antonio de Los Baños, em Cuba. Filmado entre 1967 e 1978 ORG foi, segundo seu diretor, o resultado de sua experiência no longo período de seu segundo exílio na Itália. A obra se destaca como visão caleidoscópica sobre a geração dos anos 1970, marcada pelos ventos da contracultura e do ativismo revolucionário, que teve em Birri uma de suas principais figuras no cinema. Também se destaca como experimento formal e perceptivo, misto de filme-ensaio, filme de colagem vanguardista, e épico de ficção científica (protagonizado por Terence Hill, dos filmes Trinity), contendo mais de 26 mil cortes, 700 faixas sonoras e entrevistas com colegas dos novos cinemas pelo mundo como Jean-Luc Godard, Jonas Mekas e Glauber Rocha.

Outro trabalho recentemente restaurado, nesse caso, pelo Anthology Film Archives de Nova York, a ser exibido na mostra é o clássico underground Life, Death and Assumption of Lupe Vélez ou simplesmente Lupe (1968), do porto-riquenho Jose Rodriguez Soltero (1943-2009). Trata-se de uma livre cinebiografia da atriz mexicana Lupe Vélez, uma das primeiras latino-americanas a atingir o estrelato em Hollywood ainda nos anos 1930, da sua passagem por cabarés, seus diversos romances, sua morte trágica até sua ascensão aos céus. O filme é protagonizado pela drag queen Mario Montez, estrela de filmes de Andy Warhol, Jack Smith e Hélio Oiticica. Trata-se de um suntuoso e barroco poema visual, exuberante em sua explosão de cores saturadas e superposição de imagens da atriz envoltas por uma densa trilha sonora que combina flamenco, bolero, The Supremes, Vivaldi e Rolling Stones.

Por fim, fechando os destaques latino-americanos, a mostra traz quatro filmes da extensa obra do superoitista mexicano radicado na França, Teo Hernandez (1939-1992). Três desses filmes são curtos filmes-poema que irrompem a partir de signos aparentemente simples do cotidiano; entre o diário e o filme de viagem ao sul marroquino (Michel Là-bas, 1970); ou visões nos limites da figuração de Paris, como ao apresentar o Rio Sena como matéria luminosa (L’eau de la Seine, 1982-1983) ou a Catedral de Notre Dame como vibração convulsionada entre o pesadelo e a revelação (Nuestra Señora de Paris, 1981-1982). Já o longa-metragem Salomé (1976) é uma interpretação pessoal da peça de Oscar Wilde a partir de três elementos básicos: a luz, a cor e a velocidade de projeção. O filme corresponde à primeira fase da obra essencial de Hernandez, marcada pelas suas experiências pessoais, as suas viagens, contatos e pelas tentativas em concretizar o seu ideal de um cinema do corpo e da sensação.

Programação

24/09 - TERÇA-FEIRA

11h - Abertura do 

1º Seminário de Cinema Experimental Brasileiro

11h10 - Mesa 1: Vanguarda e Experimental no Cinema Brasileiro: Rupturas e Continuidades, com Lucas Parente, Patrícia Mourão e Lucas Murari

15h - Mesa 2: Vanguardas sessentistas e setentistas do Cinema Brasileiro, com Rafael Bezzon, Anna Karinne Ballalai e Emília Santos

17h30 - Palestra: Pontos definem uma periferia; ou uma constelação: hipóteses improváveis para uma história do cinema experimental no Brasil, com Carlos Adriano

20h - Sessão de abertura (61’, exibição em arquivo digital): Eclipse (Antônio Moreno, 1984, 11’) e Lupe (José Rodriguez-Soltero, 1966, 50’)

25/09 - QUARTA-FEIRA

14h - Curso Introdução ao Cinema Experimental Brasileiro, com Renato Coelho e Priscyla Bettim (aula 1, 90')

16h - Panorama Histórico: Sessão de curtas 1: CORCINA (76’, exibição em diversos formatos) - Os Sonacirema (André Parente, 1978, 10’, exibição em arquivo digital), Era Uma Vez…* (Jorge Abranches, 1979, 8’, exibição em arquivo digital), Curto Circuito (André Parente, 1980, 10’, exibição em 35mm), Angela Noite (Roberto Moura, 1980, 10’, exibição em 16mm), Cinema Ação Curtametralha (Sérgio Péo, 1978, 12’, exibição em arquivo digital), Lygytymah Depheza* (Lúcio Aguiar, 1981, 10’, exibição em arquivo digital), Cildo Meireles (Wilson Coutinho, 1979, 12’, exibição em arquivo digital), Acorde Maior (José Inácio Parente, 1984, 4’, exibição em 35mm)

17h30 - Panorama Histórico: Sessão de curtas 2: Cinéma de salon (filmes de Raymond Chauvin) e Edgard Navarro (74’, exibição em arquivo digital) - Café Jornal (Raymond Chauvin, 1970-1980c, 3'), Anti-cinema (?) (Auto retrato n. 4) (Raymond Chauvin, 1970-1980c, 3’), Iconoclasta (Raymond Chauvin, 1970-1980c, 3’), Decadentismo (Amador n. 5) Um Manifesto (Raymond Chauvin, 1970-1980c, 3’), Metamorfose (Raymond Chauvin, 1970-1980c, 3’), Metamorfose 2 (Raymond Chauvin, 1970-1980c, 3’), Decadente n. 4 (Raymond Chauvin, 1970-1980c, 3’), Improviso n. 2 (Raymond Chauvin, 1970-1980c, 3’), Non-figuratif (Raymond Chauvin, 1970-1980c, 3’), Exposed* (Edgard Navarro, 1978, 8’), O Rei do Cagaço* (Edgard Navarro, 1977, 10’), Lin e Katazan* (Edgard Navarro, 1979, 6’), Alice no País das Mil Novilhas* (Edgard Navarro, 1976, 20’)

19h - Panorama Histórico: Sessão de curtas 3 (56’, exibição em diversos formatos) - Abá (Cristina Amaral e Raquel Geber, 1992, 4’, exibição em arquivo digital), Noite Final Menos Cinco Minutos (Débora Waldman, 1993, 10’, exibição em 35mm), Kyrie ou O Início do Caos (Débora Waldman, 1998, 14’, exibição em 35mm), Um Filme Como Outros (Luiz Renato Martins, 1978, 28’, exibição em arquivo digital)

20h30 - Foco Contemporâneo: Ana Vaz I (72’, exibição em arquivo digital) - Occidente (Ana Vaz, 2014, 15’), Há Terra (Ana Vaz, 2016, 13’), A Idade da Pedra (Ana Vaz, 2013, 29’), Sacris Pulso (Ana Vaz, 2008, 15’)

26/09 - QUINTA-FEIRA

14h - Curso Introdução ao Cinema Experimental Brasileiro, com Renato Coelho e Priscyla Bettim (aula 2, 90’)

16h - Nietzsche Sils Maria Rochedo de Surlej (Rosa Dias, Julio Bressane, Rodrigo Lima, 2019, 58’, exibição em DCP)

17h15 - Panorama Histórico: Sessão de curtas 4 (76’, exibição em arquivo digital) - A Pátria* (Jorge O Mourão, 1977, 3’), Costumes da Casa* (Jorge O Mourão, 1977, 12’), Shave and Send* (Jorge O Mourão, 1977, 18’), Washington Square* (Jorge O Mourão, 1978, 6’), BRASIL 1.872.000 MINUTOS/NOVES FORA?* (Jorge O Mourão, 1977, 18’), Pira* (Sérgio Péo, 1972, 15’), Explendor do Martírio* (Sérgio Péo, 1974, 10’)

19h - Panorama Histórico: ORG (Fernando Birri, 1967-1978, 175’, exibição em DCP)

27/09 - SEXTA-FEIRA

11h - Curso Introdução ao Cinema Experimental Brasileiro, com Renato Coelho e Priscyla Bettim (aula 3, 90’)

16h30 - Foco Contemporâneo: Ana Vaz II (59’, exibição em arquivo digital): Amazing Fantasy (Ana Vaz, 2018, 3’), Un film, réclamé (Ana Vaz e Tristan Bera, 2015, 20’), Atomic Garden (Ana Vaz, 2018, 6’), Olhe Bem as Montanhas (Ana Vaz, 2018, 30’)

17h45 - Panorama Histórico: Sessão de curtas 5 (73’, exibição em arquivo digital) - Pantera Negra (Jô Oliveira, 3’, 1968), Eclipse (Antônio Moreno, 1984, 11’), Vôo Cósmico* (Bassano Vaccarini e Rubens Francisco Lucchetti, 1961, 3’), O Bem-aventurado* (Neville d’Almeida, 1966, 12’), ? In Memoriam O ROTEIRO DO GRAVADOR (Sylvio Lanna, 2019, 22’), Um Cinema Caligráfico (Sylvio Lanna, 2019, 22’)

20h - Homenagem à Vivian Ostrovsky: Sessão de curtas 1 (93’, exibição em arquivo digital) - Copacabana Beach (Vivian Ostrovsky, 1983, 10’), Eat (Vivian Ostrovsky, 1988, 14’), USSA (Vivian Ostrovsky, 1985, 11’), Trois étoiles (Vivian Ostrovsky, 1987, 12’), Ice Sea (Vivian Ostrovsky, 2005, 32’), Losing the Thread (Vivian Ostrovsky, 2014, 8’), Hiatus (Vivian Ostrovsky, 2018, 6’)

28/09 - SÁBADO

16h30 - Panorama Histórico: Sessão de curtas 6 - Teo Hernandez I (56’, exibição em arquivo digital) - Nuestra Señora de Paris (Teo Hernandez, 1981-1982, 22’), L’Eau de la Seine (Teo Hernandez, 1982-1983, 18’), Michel là-bas (Teo Hernandez, 1970, 16’)

17h45 - Foco Contemporâneo: Louise Botkay (57’, exibição em arquivo digital) - Estou Aqui (Louise Botkay, 2015, 7’), Vertières I II III (Louise Botkay, 2014, 10’), Sugar Freeze (Louise Botkay, 2011, 10’), Mammah (Louise Botkay, 2006, 8’), 4 portes (Louise Botkay, 2009, 6’), Pena Verde (Louise Botkay, 2019, 6’), Nômades (Louise Botkay, 2018, 10’) - Sessão seguida de bate-papo com a realizadora

19h15 - Homenagem à Vivian Ostrovsky: Sessão de curtas 2 (85’, exibição em arquivo digital) - Nikita Kino (Vivian Ostrovsky, 2002, 40’), Allers venues (Vivian Ostrovsky, 1984, 12’), Public Domain (Vivian Ostrovsky, 1996, 12’), Work and Progress (Vivian Ostrovsky, 1999, 11’), Tatitude (Vivian Ostrovsky, 2009, 4’), Wherever Was Never There (Vivian Ostrovsky, 2009, 6’)

20h45 - Bate-papo com Vivian Ostrovsky (com a presença do professor Rubens Machado - ECA/USP)

29/09 - DOMINGO

16h30 - Homenagem a Luiz Rosemberg Filho (71’, exibição em arquivo digital) - Imagens (Luiz Rosemberg Filho, 1972, 52’), Landscape (Luiz Rosemberg Filho, 2017, 16’), O Cinema Segundo Luiz Rô (Renato Coelho, 3’, 2013)

18h - Foco Contemporâneo: Letícia Ramos (28’, exibição em diversos formatos) - Grão (Letícia Ramos, 2016, 7’, exibição em arquivo digital), The Blue Night (Letícia Ramos, 2017, 5’, exibição em arquivo digital), VOSTOK (Letícia Ramos, 2014, 8’, exibição em 35mm), Não É Difícil Para Um Investigador da Natureza Simular os Fenômenos (Letícia Ramos, 2018, 8’, exibição em arquivo digital)

18h45 - Panorama Histórico: Sessão de curtas 7 - Marcos Bertoni (67', exibição em super-8) - Concerto (Marcos Bertoni, 1980, 9’), Projeção (Marcos Bertoni, 1981, 3’), A Revolução das Massas (Marcos Bertoni, 1983, 9’), Doutor Ekard (Marcos Bertoni, 2002, 18’), Recuerdos da República (Marcos Bertoni, 2002, 6’), Cocô Preto (Marcos Bertoni, 2003, 16’), Môr (Marcos Bertoni, Imensidão Azul (Marcos Bertoni, 2006, 6’)

20h30 - Panorama Histórico: Teo Hernandez II - Salomé (Teo Hernandez, 1976, 65’, exibição em arquivo digital)

* Filmes que receberam novas digitalizações especialmente para este evento.